Os principais modelos de negócios do Mercado Financeiro

Se você deseja iniciar uma carreira no mercado financeiro esse artigo com certeza é para você. Saber sobre os principais modelos de negócios não é opcional, é fundamental.

Imagine que você é dono de uma empresa e busca contratar um novo funcionário. O que você espera que ele consiga trazer para a sua companhia?

Acredito que a sua resposta tenha sido lucro. É claro. É extremamente óbvio o fato de um gestor desejar que seu contratado traga soluções que enriqueçam cada vez mais a empresa.

Tudo gira em torno da capacidade de trazer resultados.

Mas como é que você vai se mostrar ser o cara certo para trazer lucro para a companhia sem saber como funcionam os modelos de negócios do mercado financeiro?

Não faz nenhum sentido.

Tenha claro na sua cabeça a forma na qual a empresa gera receita. É o mínimo que um entrevistador espera de você.

Sem isso, eu posso te garantir que seus certificados, cursos, skills, entre outras coisas não valerão absolutamente nada!

É pensando nesse sentido que resolvi escrever TUDO o que você precisa saber sobre modelos de negócios para que aproveite da melhor forma a chance em uma entrevista no mercado financeiro.

mercado financeiro

Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários

Atuam no mercado financeiro e de capitais e no mercado cambial como intermediárias especializadas na execução de ordens e operações por conta própria e determinadas por seus clientes.

Oferecem os serviços de distribuição de investimentos; assessoria financeira; administração, custódia e subscrição de títulos e valores mobiliários dos clientes; originação, escrituração, emissão e distribuição de valores mobiliários.

Para que possam funcionar dependem da autorização da CVM, que é a Comissão de Valores Mobiliários. Essa é a entidade ligada ao Ministério da Fazenda que fiscaliza, normatiza, disciplina e desenvolve o mercado de valores mobiliários no Brasil.

Agora é a hora daquela pergunta importante: e as receitas e os custos de uma corretora?

Basicamente, as corretoras vivem de quatro linhas de receita diferentes.

Taxa de Corretagem

É uma taxa fixa ou uma porcentagem sobre o volume financeiro da transação.

Taxa de Spread

É a diferença entre duas transações, sendo uma de compra e outra de venda. Por exemplo: a corretora compra um CDI + 7% a.a e vende o mesmo como CDI + 5% a.a.

O valor ganho entre essa transação é chamado de spread.

Taxa de Rebate

É quando o fundo paga uma porcentagem da receita da taxa de administração à corretora.

Taxa de Custódia

É uma taxa mensal cobrada para guarda dos títulos. Porém, essa última pode não ser cobrada.

Os custos principais são dois: distribuição dos produtos oferecidos e investimento nos sistemas de informação.

A grosso modo, pense nas corretoras como um grande supermercado que possui variadas prateleiras com produtos diversificados.

É dessa forma que funciona a distribuição dos produtos financeiros, tendo o cliente dentro do portal das corretoras a possibilidade de verificar variados tipos de investimento e escolher investir no que mais lhe convir de acordo com seus interesses e perfil, sendo eles alguns ativos de renda fixa, fundos de investimentos, debêntures e até mesmo a compra e venda de ações através do broker da corretora.

Gestoras ou Assets

São empresas privadas criadas especificamente para gerir recursos de terceiros, sendo esses pessoas físicas ou jurídicas.

É através delas que são geridos os fundos de investimentos que ficam disponíveis na plataforma das corretoras para os clientes investirem seu dinheiro.

A gestão compreende o processo desde a alocação de recursos e a tomada de decisão até a execução. Podem haver eventuais ajustes das posições com o intuito de preservar e rentabilizar o capital dos seus clientes.

Assim como as corretoras, as gestoras também são supervisionadas pela CVM.

Sua geração de receita é basicamente dividida em duas taxas diferentes: a taxa de administração e a taxa de performance.

Taxa de Administração

Cobrada pelos fundos e objetiva remunerar os prestadores de serviço. É calculada diariamente por um percentual anual do patrimônio líquido do cliente.

Taxa de Performance

É uma taxa que pode não existir para alguns fundos. Cobrada quando a rentabilidade do fundo supera um benchmark baseado em algo que chamamos de marca d’água.

Saindo de receita para custo, você imagina qual seja o principal fator de custo para uma gestora?

Excluindo os custos administrativos ou de equipamentos básicos como computadores, o principal fator de custo de uma gestora são seus próprios funcionários.

Como buscam profissionais de excelência, num ambiente meritocrático e intelectualmente desafiador, as gestoras tem que pagar mais salários, bônus, PLR etc. Por isso, a remuneração de seus profissionais é o seu maior custo.

Bancos

De um modo geral, são instituições, públicas ou privadas, pertencentes ao Sistema Financeiro Nacional.

Elas são reguladas pelo Banco Central, que fazem a intermediação financeira entre os agentes superavitários, também conhecidos como credores, e os deficitários, também chamados de tomadores.

São classificados em bancos comerciais, de investimento e múltiplos.

Com relação aos custos, os mesmos estão principalmente ligados à distribuição dos produtos financeiros, tanto para os bancos comerciais, de investimento, múltiplos e caixas econômicas, sendo eles LCI/LCA’s, Títulos Públicos, Debêntures, CDB, Fundos de Ações, Multimercados, entre outros.

Bancos Comerciais

São responsáveis por fazer a intermediação financeira, recebendo recursos dos credores e os distribuindo através de crédito seletivo, que são as aplicações, e recursos à quem necessita, sendo, nesse caso, os empréstimos aos tomadores.

Para realizar esses serviços os bancos cobram uma taxa chamada spread, criando moeda através do efeito multiplicador de crédito.

O objetivo dessas instituições é fornecer crédito de curto prazo para pessoas físicas, comércio, indústrias e empresas.

Bancos de Investimento

São instituições financeiras privadas especializadas em operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo (longo prazo), de giro (médio prazo) e de administração de recursos de terceiros.

Além disso, não possuem contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados.

Focam normalmente em duas grandes áreas: reestruturação e crescimento.

Suas principais operações ativas são: financiamento de capital de giro e capital fixo, captação de recursos via equity a partir de IPO, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, emissão de debêntures, reestruturações financeira e societária, fusões e aquisições, depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos.

Bancos Múltiplos

Surgiram afim de racionalizar a administração das instituições financeiras. Reúnem funções dos bancos comerciais, dos bancos de investimento, entre outras.

Para que um banco seja considerado múltiplo ele deve seguir algumas regras. Deve ter pelo menos duas entre as carteiras comercial, de investimento, de crédito, a imobiliária, aceite, desenvolvimento e leasing, sendo uma delas obrigatoriamente comercial ou de investimento.

Além disso, deve ser constituído com um CNPJ para cada carteira, podendo publicar um único balanço.

Consultorias

No mercado financeiro esse é o modelo responsável por orientar o cliente em suas decisões de investimento usando conhecimento técnico para apresentar estratégias de recomendação de carteira adequadas ao perfil do investidor.

O primeiro passo é analisar a estrutura patrimonial do cliente. Posteriormente, fazem uma proposta de realocação patrimonial e por fim, o consultor fará um acompanhamento e efetuará ajustes quando necessário.

De uma forma geral, os modelos de Consultoria, também conhecidos como Financial Advisory, podem ser ligados a bancos ou serem independentes.

Os ligados a bancos, antes de tudo, são formados por consultores funcionários da instituição. Possuem um salário fixo mais uma remuneração variável a depender das metas, sendo essas estipuladas pelos próprios bancos.

Os modelos de Financial Advisory independentes têm sua remuneração oriunda do cliente. É obtida através de um fee de consultoria em cima do volume financeiro movimentado pelo cliente.

Agente Autônomo de Investimentos

Distribuem e mediam títulos, valores mobiliários, quotas de fundos de investimento e derivativos, como preposto das instituições integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários.

Não podem fazer recomendações, somente apresentar os produtos.

O agente costuma ser a ponte entre o investidor e o investimento final, atuando através de uma Corretora de Valores Mobiliários.

São sócios minoritários, ou seja, não possuem CLT. São responsáveis em fazer o relacionamento comercial com o cliente e são comissionados através de participações em operações financeiras.

Podem conectar-se com várias instituições financeiras, lembrando que a empresa de Agente Autônomo de Investimentos não é uma instituição financeira, mas sim uma representação comercial.

Resumidamente, fazem a captação de clientes via contato direto afim de oferecer os produtos disponíveis nas plataformas da corretora na qual são associados.

Administradoras

Esse modelo de negócios do mercado financeiro é responsável por compensar, liquidar, custodiar e controlar o risco das operações realizadas em bolsa.

Seu principal custo são seus funcionários e a receita é proveniente de taxas cobradas à seus clientes.

Empresas de Análises

Conhecidas também como Research, oferecem ao investidor pessoa física algumas análises independentes e com linguagem de fácil compreensão.

Falam sobre ações recomendadas, renda fixa, fundos imobiliários, long-short, análises macroeconômicas, fundos de investimentos e os calls diários dos traders.

Essas empresas cobram mensalidades pela assinatura e envio de diferentes tipos de relatórios ou análises. É dessa forma que garantem sua fonte de receita.

Auditoras

São empresas que atuam no campo regulatório.

Costumam atuar no mercado financeiro principalmente em fundos de investimento e nas grandes instituições bancárias a fim de coibir erros contábeis e dar transparência ao investidor.

Basicamente, revisam demonstrações financeiras, registros, transações, operações entre outras de um projeto ou de uma empresa.

Lembre-se sempre: é fundamental lembrar como todos esses modelos de negócios ganham dinheiro.

No fim das contas, saber como gerar mais lucro para a empresa na qual você se candidatou para uma vaga é o que importa, e é isso que te diferenciará dos demais concorrentes.

Fontes:

  • Experiência alocando centenas de profissionais no Mercado Financeiro.
  • +100.000 horas observando as movimentações do Mercado.
  • Insights dos Sócios e Diretores das maiores casas de finanças do mundo.